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O Arauto Brasileiro

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“Grande mídia” entrevista “curados” do coronavírus

7 min read
A grande mídia publicou matéria falando dos curados do coronavírus. Segundo a matéria, o coronavírus pode provocar dificuldade para respirar, tosse e febre. Afinal, não passa mesmo de uma "gripezinha", conforme o ironizam?

O casal Antonio Carlos Minuzzi Filho e Xuxa Pires, em isolamento com a filha.

Principais sintomas da doença

Falta de ar, cansaço, fraqueza, febre, tosse, dores de cabeça e no corpo são sintomas que aparecem com mais frequência nos relatos de quem foi diagnosticado com Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, e se curou.

Além dos desconfortos físicos, estes sobreviventes ainda precisam lidar com o sofrimento causado pelo isolamento, pela ansiedade diante de uma nova doença e pelo medo de contaminar família, amigos e pessoas de grupos de risco, como idosos.

Os depoimentos dos entrevistados

  • Renata Berenger
  • Daniela Teixeira
  • Austelino Mattos
  • Marcelo Medeiros
  • Antônio Carlos e Xuxa Pires
Renata Berenguer, 30 anos, advogada.

De Recife (PE), a advogada disse que acordou com dores na cabeça e no corpo no começo de março, quando ainda não havia confirmações da doença no estado. Achou que era uma virose, comum no pós-carnaval. Ela lembra:

A ficha só começou a cair quando voltava para a capital pernambucana após uma viagem a trabalho em Blumenau (SC). Quando pego o avião São Paulo/Recife, tento dormir e sinto uma sensação estranha. Puxava o ar e não vinha. Já tinha algumas pessoas de máscara, mas não imaginava. Eu nem sonhava em coronavírus, mas senti algo estranho.

A advogada defende que seu caso é a prova de que a doença existe e pode acometer pessoas de todas as idades. Ela ainda reforça que a recomendação de isolamento social deve ser seguida à risca. Ela diz ainda:

O que precisa ser feito é o isolamento. É esse gesto de amor. Vim diretamente para minha casa, seguindo um protocolo de isolamento absoluto que em nenhum momento hesitei descumprir.

Daniela Teixeira, 48 anos, advogada.

Moradora de Brasília (DF), a advogada é outra sobrevivente da Covid-19. Seus sintomas, ela diz, “foram leves” e duraram quase uma semana. Daniela lembra que “era algo muito parecido com uma gripe, dor no corpo, dor de cabeça, mal-estar generalizado”, mas sentia medo e preocupação.

Ela afirmou:

O chão se abre, e o desespero toma conta da gente. O mundo está parado por conta do coronavírus, e você recebe quase uma sentença de morte.

Após o resultado positivo para a doença, ela conta que um dos desafios foi a convivência dentro da própria casa. O marido e os dois filhos, que moram com ela, não estavam doentes, mas também tiveram que ficar em quarentena. 

Quem estava dentro de casa comigo tinha que permanecer comigo. Meus filhos não podiam sair, porque poderiam levar o vírus para fora de casa. Ficamos os quatro confinados.

Austelino Ferreira Mattos, 56 anos, médico.
O médico teve confirmado o diagnóstico da Covid-19 e chegou a ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Mogi das Cruzes por quase uma semana, mas já está em casa, onde procura se recuperar depois de um grande susto. Ele contou:

O sintoma que mais me incomodava mesmo era falta de ar. Eu me cansava muito. Aí você começa a perder o olfato, o paladar. Vai tomar água e a água está amarga. A dor no corpo é muito grande, e você se incomoda até de ficar deitado.

O médico segue em recuperação da doença, embora diga se considerar praticamente curado, por não lidar mais com os principais sintomas da doença. Ele disse:

Aqui em casa estou mais assistindo televisão, lendo meus livros. É fazer passar o tempo. Ainda me sinto um pouco cansado, mas é muito pouco. Se comparar com duas semanas atrás, está bem melhor. Não dá nem para reclamar.

Marcelo Medeiros, 59 anos, dirigente do Sport Club Internacional, de Porto Alegre.

Os presidentes da dupla Gre-Nal também superaram o coronavírus. O dirigente do Grêmio, Romildo Bolzan apresentou sintomas leves, mas o do Internacional, Marcelo Medeiros, teve um quadro mais forte. O presidente do Internacional disse:

Foram 16 dias de isolamento completo, longe de todo mundo, agora voltei para o convívio da família. Tô muito feliz.

Porém, ainda não se sabe se quem teve a doença pode pega-lá novamente. Os médicos recomendam que mesmo após o diagnostico, os hábitos de higiene prossigam.

Medeiros afirma que mesmo considerado curado, permanecerá em isolamento:

Fique em casa porque assim a gente vai superar essa crise de saúde que estamos vivendo.

O casal Antonio Carlos Minuzzi Filho e Xuxa Pires, em isolamento com a filha.

O casal de Porto Alegre (RS), saíram do isolamento, mas se mantêm em quarentena. Minuzzi Filho relata:

Eu fico muito tempo brincando com a minha filha. Uma coisa que eu não fazia há anos é tocar violão, ela canta. Estou tentando desfrutar esse momento familiar, almoçar juntos.

Ele foi infectado em Porto Alegre e após testar positivo, a esposa Xuxa também apresentou os sintomas. Ela que é produtora de eventos ressalta:

Eu poderia dizer que é um tsunami. O coronavírus entra no teu corpo, te derruba geral. Ele tira toda a tua energia. Tu não consegue fazer nenhuma atividade, tu fica acamada.

O médico conta que foi melhorando um pouco a cada dia:

Fui começando a ter um pouco mais de disposição e o quadro de me sentir realmente mais disposto. De viver uma vida quase normal, eu fui ter com 15 dias.

O contexto das entrevistas

Ao longo da reportagem e das declarações prestadas pelos entrevistados (incluindo os que não apareceram aqui) ficou evidente a intenção da reportagem: criar uma narrativa para a recomendação básica da OMS em relação à pandemia – quarentena obrigatória e isolamento social.

Não se viu ao longo de toda a matéria, nenhum argumento científico, nenhuma prova cabal de que a quarentena dá resultados: em todos os casos, os infectados receberam atendimento hospitalar. E em todos os casos, os sintomas apresentados foram os mesmos, com evidentes diferenciações mínimas de gravidade, de caso a caso; mas em todos eles fica bem claro de que a doença, para cada um dos entrevistados, não passou de uma gripe mais forte.

Um outro fato que ficou patente: a maioria das pessoas entrevistadas, possui nível acadêmico superior completo, vida estável e perfil de classe média alta. Todas as pessoas infectadas viajaram e/ou tiveram contato com estrangeiros, ou estiveram fora do país no período. Não se tratam de cidadãos comuns, a maioria do povão, o que deixa o objetivo da entrevista obscuramente mais claro.

Paradoxal, o último comentário? Talvez, mas se observarmos a questão com um olhar mais clínico e apurado veremos que ele faz muito sentido.

Em um momento em que, graças a essa pandemia, o mundo inteiro se encontra em uma enorme crise econômica, enviesada pela própria pandemia, fazer uso desse tipo de subterfúgio emocional é no mínimo de uma grosseria grotesca e de uma ingenuidade quase pueril de que a população vai comprar e assimilar essa narrativa. O nosso povo não está nem um pouco desatento quanto a isso, grande mídia. Fiquem bem certos disso.

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Roberto Mayrink
Autor(a): Roberto Mayrink

Engenheiro, escritor e pesquisador autodidata. Criador de vários websites. Analista político. Conservador e monarquista. Estudioso de História, Genealogia, Heráldica e outras ciências relacionadas.

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